Mercado ImobiliárioPreço das Casas

Os preços das casas em Portugal continuam a subir. Os números da reabilitação urbana também

José Cabral

As previsões de estagnação dos preços do mercado residencial ainda não ganharam forma. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o Índice de Preços da Habitação do 1º trimestre de 2019 aumentou 9,2% em relação ao período homologo (1º trimestre de 2018) e 3,6% em relação ao último trimestre de 2018 (que, face ao último trimestre de 2017, havia crescido 9,3%).

Lisboa já não alavanca o crescimento. Já o Porto…

Segundo a Confidencial Imobiliário (CI), um banco de dados que recebe informação de cerca de 600 mediadores imobiliários, a valorização homóloga em Lisboa ficou-se pelos 10.9% para uma média nacional de 15,6%. Sendo que, no trimestre anterior, os registos foram de 21,4% para a capital e 16% para o país no seu todo. Este parece ser um indicador a reter: a valorização das casas em Lisboa estará, neste momento, a acontecer abaixo da média nacional. Para se ter noção do quão pertinente poderá ser esta tendência note-se como contrasta com registos recentes do INE: entre o 1º trimestre de 2016 e 2º trimestre de 2018 os preços tinham aumentado 16,7% em Portugal. No mesmo período, os valores das casas teriam (segundo a CI) crescido 46,8% no concelho de Lisboa.

O Porto registou o valor recorde de 28,8% face aos preços do 1º primeiro trimestre de 2018. Sendo que (e ainda segundo a CI) só em 2017 e 2018 forem submetidos pedidos de licenciamento para 5666 fogos (Lisboa contabilizou 7517) num total de 830 projectos residenciais. Dois terços destes projectos encontram-se no centro histórico da cidade. Tem sido essencialmente o turismo a dinamizar a reabilitação no centro do Porto: 62% dos fogos são tipologias T1 e T2.

E no resto da Europa?

Na União Europeia o preço das habitações subiu 4,0% face ao 1º trimestre de 2018 e 0,3% face ao 4º trimestre. A maior subida dos preços das casas face ao primeiro trimestre de 208 foi registada pela Hungria (11,3%), seguindo-se a República Checa (9,4%) e Portugal (9,2%). No extremo oposto está a Itália, o único país onde se verificou uma evolução negativa dos preços: desceram 0,8% face ao primeiro trimestre de 2018.

Conclusões

Até há bem pouco tempo as subidas dos preços das casas em Lisboa representavam um peso substancial na percepção de valorização imobiliária que o país assistia (que continua bem acima da média europeia). Havia até quem insistisse que os números da capital teriam que ser lidos de forma independente do resto do país. É verdade que a desproporção acentuada a que se tem assistido entre procura e oferta na capital portuguesa influenciou positivamente o valor dos activos imobiliários nos municípios vizinhos. E quem sabe, terá um efeito positivo no resto do país. Afinal de contas, quantos investidores estrangeiros não equacionam o Porto, como alternativa à oportunidade de negócio idealizada que já não conseguiram vislumbrar em Lisboa? (eu respondo…) Bastantes: fazem contas aos valores do metro quadrado na capital e receiam não haver muito mais margem para a sua valorização.

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